O Urso Faminto
Mais um texto interessante que recebi recentemente. Boa reflexão!
O URSO FAMINTO
“Certa vez, um urso faminto perambulava pela floresta em busca de alimento.
A época era de escassez, porém, seu faro aguçado sentiu o cheiro de comida e o conduziu a um acampamento de caçadores.
Ao chegar lá, o urso, percebendo que o acampamento estava vazio, foi até a fogueira ardendo em brasas e dela tirou um panelão de comida. Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo.
Enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo.
Na verdade, era o calor da tina…Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava.
O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida.
Começou a urrar muito alto.
E, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo.
Quanto mais a tina quente lhe queimava, mais ele apertava contra o seu corpo e mais alto ainda rugia.
Quando os caçadores chegaram ao acampamento encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida.
O urso tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela e seu imenso corpo, mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo.
Quando terminei de ouvir esta história de um mestre percebi que em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos ser importantes.
Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro e, mesmo assim, ainda as julgamos importantes.
Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa situação de sofrimento, de desespero.
Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos.
Para que tudo dê certo em sua vida, é necessário reconhecer, em certos momentos, que nem sempre o que parece salvação vai lhe dar condições de prosseguir.
Tenha a coragem e a visão que o urso não teve.
Tire de seu caminho tudo aquilo que faz seu coração arder de dor.
Solte a panela…”
No texto, o urso tinha um objetivo, que era conseguir comida, mas faltou-lhe ver os riscos que a situação apresentava no momento. Muitas vezes, quando queremos algo, nos cegamos daquilo que está a nossa volta, que pode nos trazer conseqüências desastrosas. Vejo como analogia, a pessoa desempregada, que na ânsia de conseguir o emprego, vai a uma entrevista a uma destas empresas de recolocação, que é inescrupulosa, paga pela posição, mas não consegue ver que a empresa não lhe dá a vaga e só quer se aproveitar de seu desespero.
O melhor exemplo é a sociedade, onde se pede resultados cada vez mais imediatos. Cria-se, então, uma ansiedade na pessoa, que para conseguir seu objetivo, não consegue ver os obstáculos, aí faz qualquer coisa, sem que calcule os riscos que isto pode trazer. Em alguns casos, vai contra a ética, com perdas que podem ser irreparáveis, por exemplo, o fim de uma amizade.
No texto, o que se discute, apesar da escassez, não é o desejo do urso, mas a forma como ele executou seu plano para conseguir o alimento. Apareceu a oportunidade, mas ele não soube aproveitá-lo da melhor forma possível. Foi ansioso e inconseqüente. Devemos sim aproveitar as oportunidades que nos aparecem, mas devemos sempre usar a prudência, o que faltou ao urso.
Mestre, como devo proceder se dentro da panela existir algo raro como honestidade e sinceridade?