Wednesday, April 30, 2008

Catarse

Catarse nada mais é do que, de acordo com a filosofia grega antiga, a libertação de tudo que é estranho à essência ou à natureza de um ser. Portanto, tudo que é estranho à essência, tem a função de corromper alguém em função de interesse próprio ou de outro. Apesar do termo não ser utilizado com freqüência nas nossas conversas, é um termo que é aplicado com mais freqüência em nossas vidas do que podemos imaginar.

Desde que nascemos são colocadas diversas “verdades” em nossas mentes que ao longo da vida temos que aprender a ter o discernimento necessário para acabar com elas. Esse processo de purificação é a catarse. Ter força para fazer esse processo em nossas vidas requer dedicação e vontade, pois acabar com mitos que fazem parte de costumes de famílias, grupos e nações, não é tarefa fácil.

Alguns exemplos banais, como para uma criança saber que o papai noel, da forma que foi fantasiado por ela desde que nasceu, não existe, é uma tragédia forte para ser superada. Assim como outras “ilusões” que foram colocadas nas mentes de cada um de nós.

Sim, temos que encarar essas falsas verdades que temos em nossas mentes. Não devemos ter medo das tragédias provocadas pela matança de mitos que só fazem frear nosso desenvolvimento. Temos uma importante parceira nessa jornada: a INTUIÇÃO. Ela é capaz de trazer a verdade absoluta, que irá nos purificar dessas programações que recebemos.

Posted by Observatório da Consciência at 00:20:49
Comments

5 Responses to “Catarse”

  1. Anonymous says:

    Eu penso que, sem medo, temos que experimentar acreditar em algumas verdades - sejam intuitivas ou “postadas” por alguem.
    Com o tempo, algumas poderao se tornar absolutas e outras serao ilusoes que nos levarao ao caos.
    Obrigados a superar a decepcao, novas verdades serao acreditadas e de novo parte se tornarao absolutas e parte nao…
    Esse acreditar e desacreditar é que faz evoluir.

    Postado por Carol

  2. Anonymous says:

    Concordo com a Carol e acho também a Catarse muito forte dentro de nós, praticamente em muitas atitudes que temos. Crescemos com todos os pré-conceitos que a sociedade e nossa cultura nos impõe. Acho que a harmonia entre o que é verdade e mito é sadio. Por exemplo, não sou contra fantasiar para uma criança a existência de um Papai Noel, é gostoso e divertido, quando ela crescer entenderá que era uma brincadeira e terá boas recordações dessa época, porém quando se trata de assuntos sérios, por exemplo valorizar uma pessoa por seu status, isso acontece muito por incrivel que pareça, eu acho péssimo mas muitas pessoas ainda pensam assim e aí sem duvida temos que nos libertar dessas “verdades” e valorizar as pessoas pelo que são.Por isso acredito que a harmonia entre ambas é o ideal, aprender com as experiências “verdades”que nos são passadas faz com que não nos decepcionemos em algumas vicências, por outro lado, vivênciá-las nos fará evoluir com o aprendizado e confirmar a veracidade dos fatos.
    Cabe a nós acreditarmos no que consideramos verdades para nós mesmos e sempre claro, pensando no bem comum e no crescimento pessoal.

  3. Anonymous says:

    by CMG:
    Outro dia eu assistia a um documentário no National Geographic (acho) que se chamava “Taboo”. Este documentário focava especialmente rituais de iniciação em diferentes culturas. Havia uma iniciação na África, aonde um garoto era considerado adulto apenas depois de uma “luta com chicotes” contra um rapaz de outra tribo e uma garota só passava a ser considerada adulta depois de ter seu rosto tatuado com diversos desenhos. Na Coréia do Sul, uma jovem que procurava uma cura especifica para sua doença mental, encontrou no xamanismo coreano a possibilidade de cura – para sua iniciação era necessário que ela dançasse em cima de facas afiadíssimas.

    Outro exemplo foi um rapaz, descendente de índios brasileiros, vivendo na cidade de Manaus. Esse exemplo foi muito interessante. O rapaz vivia em Manaus porque sua família foi procurar o dinheiro e a boa vida e conforto prometido pelo dinheiro que era “fácil” de se obter nas cidades grandes, mesmo tendo que pagar o preço de abdicar de suas tradições e cultura. Os pais do índio acabaram morrendo na cidade grande. O rapaz, embora tendo vivido muito tempo na cidade, resolveu retomar suas origens, abandonar as promessas feitas pelo capitalismo e voltar a morar com sua tribo. Embora já fosse um rapaz de dezessete/dezoito anos, este índio – assim como todos os índios que vivem nesta tribo perto de Manaus – precisou passar por um ritual de iniciação para ser aceito como homem dentro daquela sociedade.

    O ritual desta tribo consiste em os jovens candidatos a homens vestirem por meia hora, se não me engano, duas luvas recheadas de formigas tocadeiras vivas. A picada de uma formiga tem o veneno três vezes mais forte do que o veneno de uma abelha comum. Uma luva recheada de formigas dói tanto “quanto colocar a mão no fogo e deixar lá” segundo um iniciado - vale lembrar que o veneno (e a dor) passa apenas após 24 horas. Para que o rapaz seja considerado homem dentro desta tribo, ele precisa passar não uma, mas vinte vezes por esta mesma prova.

    Um parêntesis neste texto: Esses rituais todos de iniciação possuem algo em comum: a dor física. Entende-se que, para superá-la, no entanto, é exigido um estado de consciência alterado – que nos exemplos citados envolve danças, músicas, cânticos, orações, mas (ao contrario do que pudesse ser imaginado) nunca a ingestão de qualquer tipo de substância que altere o estado de consciência do neófito – pelo menos nos exemplos citados neste documentário.

    Voltando ao nosso exemplo brasileiro: Dado a atual situação – a possibilidade de extinção das culturas indígenas no Brasil, confesso que senti um relativo conforto ao saber que existe ao menos um índio que tenha vivido por muito tempo na cidade grande tenha decidido voltar às suas origens. Isso significa, de certa forma, que ele deve propagar no futuro essa sua cultura.

    Claro, tudo isso é muito bonito. Mas indo um pouco mais além: o que leva uma pessoa a retomar suas origens mesmo que ela tenha ciência de que essa retomada significa passar por uma prova que provoca tamanha dor?

    Embora eu ainda não tenha uma resposta clara para esse ponto, talvez esteja no caminho: o homem está percebendo que não está mais ligado à própria natureza. Ele perdeu essa identidade na medida em que precisou adotar padrões específicos de comportamento e de cultura para atender expectativas externas. O homem moderno abandonou seus valores mais íntimos, mais puros. Hoje o importante é ganhar dinheiro – nem que para isso você passe por cima de alguém no escritório. Na verdade vão gostar de você por que você é um “ganhador”. Então, o que importa aqui são os valores de tais expectativas. Por exemplo: Uma coisa é o rapaz passar pela prova das “luvas das formigas” com o objetivo de ser aceito como homem (e, assim, ser aceito como digno de ser chefe de uma família) entre seus semelhantes. Outra coisa é o rapaz passar a perna no colega de escritório para conseguir uma promoção, ter sucesso - e assim atender uma expectativa da sociedade que vai dizer: “Que bonito! Saiu da floresta e hoje é chefe na empresa!” Na minha opinião o que aconteceu com esse jovem que passou pela prova das formigas foi que ele transcendeu e percebeu o real significado da vida. Nesse sentido, se “re-ligou” com seus valores mais íntimos e naturais a todo ser humano (casar, constituir família e ser aceito como tal pelo grupo que lhe deu a vida).

    Se minha linha de raciocínio está correta me coloco no lugar do jovem índio, me perguntando quais os valores íntimos que abandonei para atender as necessidades / expectativas de outros e não as minhas. Quais expectativas / valores são mais importantes? As minhas ou as dos outros? O que eu quero para mim? O que eu preciso para ser feliz? O que é “ser feliz”?

    Voltando um pouco na sociologia / antropologia, percebo que esse tipo de questionamento é típico de sociedades que perderam – de alguma forma – sua identidade. Talvez até por falta de uma religião (no sentido mais popular da palavra, mesmo), o homem contemporâneo não dá valor mais aos rituais. Estes ficaram abandonados, jogados no canto da sala. Ou talvez expostos em cima da mesa de vidro apenas para mostrar às visitas que esses rituais são parte de uma cultura antiga e bonita de nossa terra – mas da qual nós não fazemos mais parte, pois temos MEDO de não sermos aceitos por outros.

    Os rituais nos ajudam a nos religarmos com nossa essência, com nossa natureza humana mais pura e mais sutil, a que já não mais conseguimos identificar claramente por conta das cobranças da sociedade e de nossa necessidade “emergente” de sermos aceitos por todos. Queremos ser aceitos pelo mundo, mesmo que não sejamos aceitos por nós mesmos. Talvez não precisemos mudar o mundo (fazer com que o mundo altere seus padrões de exigência para conosco para sermos felizes), mas alterar os nossos próprios desejos – ou percebermos que, na realidade, o que queremos de verdade é muito, muito mais simples de alcançarmos. Vou alem: Talvez “alterar nossos próprios desejos” seja a prova de dor pela qual tenhamos que passar para nos religarmos com nossa natureza mais íntima.

  4. Anonymous says:

    utilizei um post seu no meu blog: http://blog.albertolung.com/

  5. you rock my world!!!

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